O que você vai ser quando seu filho crescer?

Já parou para pensar qual é sua função como mãe/pai dos seus filhos? O que representam estes filhos na sua vida de forma profunda e sincera. Como você os está preparando para o futuro e o que você tem feito de modo mais amplo para que este futuro seja acolhedor para os seus filhos. Então, este texto se trata disso do nosso verdadeiro papel como pais, se trata de conscientizar que os filhos vão crescer,  e vão passar por nós e levam da gente muito mais que as características físicas. Espero que aprecie a leitura, e que ela te faça pelo menos refletir.

Começo com uma pergunta inquietaste e desconfortável, já que vai mexer em um lugar que ninguém gosta: ”O que você vai SER quando SEU FILHO crescer?”. 

A pergunta, não está errada, nós estamos habituados a responder, e também a fazê-la para nossos filhos e outras crianças assim: “o que você vai ser quando crescer?” 

Você mesma já deve ter respondido ela um milhão de vezes para os adultos que te cercavam quando era criança. E também, já deve ter feito a mesma pergunta para seus filhos e outras crianças (sobrinhos, amiguinhos dos filhos).

O que você respondia quando te faziam esta pergunta? Você se lembra? Se você se lembra, quem você se tornou hoje, está próximo daquele desejo infantil? O que já até chegou a ser um sonho.

O duro é que a vida já deu muitas voltas, não é mesmo? Jogou duro com a gente e com os nossos sonhos. Tão duro, que deve ter gente que nem se lembra mais o que desejava ser naquela época.

Mas encarando a pergunta tradicional, o que você responderia se eu te perguntasse “o que seus filhos vão ser quando eles crescerem”? Consegue imaginar isso? Tem isso definido com você?

Difícil responder agora, não é mesmo? Principalmente se seu filho for pequeno ou bebe. Nós também temos sonhos para eles, e até algumas projeções, mas tenho certeza que a sua resposta seria subjetiva como: “ah! Eu só quero que ele seja feliz!” Ou… “ Um filho honesto, com certeza”. “Que ele encontre a paz”. “Que seja um profissional realizado”… e por aí vai. 

Mas você não correrá o risco de DEFINIR (e limitar) que ele será um médico, engenheiro, advogado, super herói (como nós já sonhamos), lixeiro (digno como tantas profissões), professor, dono de circo, palhaço, YouTuber (está na moda, juro e ganham muito dinheiro), jogador de futebol ou de online ou qualquer reposta parecida com estas. A gente nem liga para o que eles escolherem ser. Não é nada disso que importa para gente. O que realmente desejamos para os nossos pequenos é que estejam bem com eles e com o mundo. Seguros e saudáveis.

Agora voltando a pergunta do título, me responda:

  • O que VOCÊ vai ser/fazer quando o seu filho(a) crescer? Já pensou nisso?
  • O que você está fazendo agora, semeando hoje, para o futuro do seu filho ser melhor?
  • Você está preparando eles para um mundo duro e cruel? Para um mundo de conquistas?

Pare um pouco e tire um tempinho e para pensar sobre isso. Você pode retomar a leitura na sequência. Mas reflita um pouco sobre isso.

Campanha

Em 2015, a Nestlé lançou uma campanha publicitária para o Leite Ninho em formato de entrevistas, onde mães e filhos eram questionados separadamente sobre o que as crianças seriam no futuro e sobre “O que os pais seriam quando os filhos crescessem?”. 

As respostas gerais foram o silêncio, gagueira e uma total falta de palavras (assista ao vídeo). Pois isso é algo que não paramos para pensar e na verdade nem queremos pensar nisso agora. Isso se você tiver filhos pequenos, assim como eu. Se seus filhos já cresceram você pode ou deve estar passando pela síndrome do ninho vazio. Mas isso é assunto para outro textão. Embora este texto contenha pontos de vistas refletivos para todos nós.

Chegou a sua vez!

Mas agora chegou a sua vez, me diga como respondeu a pergunta: O que VOCÊ fará quando o seu filho crescer? E o que você tem feito AGORA, para quando este futuro chegar?

Sabe, eu fico surpreso com a quantidade de mulheres que tem essa função materna como uma espécie de profissão. Se tornou o motivo da vida delas. 

Ser mãe, ser pai, é na verdade uma FUNÇÃO passageira, ou deveria, né. Mas está cheio de mães criando marmanjões com 40 anos de idade como se fossem umas crianças. Você conhece alguém assim? Ou você é uma delas?

Na descrição dos seus perfis nas redes sociais está assim: “Fulana de tal, mãe da(o) ciclana(o) e da(o) beltrana(o)“. Ou seja, se tornou a profissão dela, a definição da vida dela.

Ela deixou de ser engenheira, advogada, dona de casa, empresária! Sua função social é ser mãe. O que ela quer que o mundo saiba sobre ela: é que ela é MÃE. Ah! Tem as Mães de “doguinhos” também. Nada contra. Mas é isso. É assim que elas se definem.

Ah! se o seu perfil está assim, termine a leitura e tire as conclusões sobre o meu ponto de vista, tá! Cada um tem um e eu te respeito se quiser continuar como está.

Este texto não é para denegrir ou desqualificar a imagem de mãe (que é uma das FUNÇÕES mais lindas que existe). O meu alerta é para o PESO que é para os filhos de mulheres assim! Pois a criança se torna responsável pela VIDA daquela mãe. Por sua alegria, tristeza, êxitos, vitórias e frustrações. Absolutamente tudo. 

Imagine ser esta criança. Sinta o quanto isso é pesado. Talvez você tenha sido o(a) filho(a) de uma mãe assim e sabe muito bem como é estar neste lugar.

Imagine quando estas crianças se tornarem adultas. Será que terão liberdade para seguir o seu destino, construir sua família como bem escolherem? Ou ainda estarão presas ao mundo destas mães? Será que terão força e coragem para seguir com suas vidas quando estas mães faltarem? O que você acha?

O nosos papel de pais

O papel de nós pais deveria ser (e eu digo deveria, pois não quero ser arrogante ou dono da verdade) nos tornar DESNECESSÁRIOS à vida dos nossos filhos.

Como assim desnecessários, Tiko??? você está louco??

Não estou não. É isto mesmo. Precisamos nos tornar “desnecessários” para os nossos filhos! 

Confesso que eu também me choquei quando ouvi isso pela primeira vez. Até sofri um bocado com essa informação colocada desta maneira que aconteceu durante o meu curso de formação em constelação familiar.

Hoje, depois de refletir (que é a intenção deste texto – te fazer refletir), ela se tornou totalmente coerente e bastante assertiva para o meu novo olhar de terapeuta sistêmico e constelador. E de pai!

Você não é eterno

Um pensamento linear e simples é: “Nós não somos eternos” e não vamos viver o restante das nossas vidas ao lado de nossos filhos. Não vamos estar presentes ao lado deles a cada decisão importante que eles tiverem que tomar. 

Então se faz necessário que eles sejam capazes de seguir sozinhos em algum momento (vida adulta). De tomar as melhores decisões possíveis. De enfrentarem o mundo como ele realmente é. Com todos as suas oportunidades e todas as suas dificuldades. Eles precisam aprender amar a sua maneira, precisam se sentirem amados por outras pessoas. Precisam encontrar uma pessoa boa para serem companheiros e quem sabe, dar continuidade à vida, tendo filhos, ensinando, propagando o que entregamos à eles (a vida, os legados).

Nossos filhos vão crescer. É inevitável. Vão cair. Vão machucar. Vão se ferir. Vão quebrar a cara. E Deus queira que quebrem e aprendam. Mas eles devem ser capazes de se levantar e enfrentar qualquer coisa. Eles não podem ser frágeis e se quebrarem diante das primeiras dificuldades. Eles precisam ser fortes. Inteligentes, sábios. E nós perto deles, só tiramos a sua força! A sua confiança.

Devemos dar aos nossos filhos condições e força para eles poderem seguir sozinhos. Irem para vida sem se preocupar conosco.

Eles devem se sentir livres em relação a nós. Fortalecidos com tudo que passamos à eles. E nós devemos ter a certeza que fizemos o nosso melhor e que um dia eles serão capazes de transmitir o que passamos à eles aos seus próprios filhos, nossos netos.

Uma coisa é certa e imutável: nós seremos seus pais sempre e pra sempre. Isso não mudará nunca. 

Nós vamos estar em seus pensamentos, nas suas atitudes, na maneira como se comportam. E o mais importante: vamos estar em seus corações. E um dia, se a natureza seguir a sua ordem, não estaremos mais aqui, mas estaremos em suas lembranças: “aprendi isso com meus pais”.

Projeto NÃO DEPENDÊNCIA I – Independência é liberdade

Nós também não podemos (ou devemos) criar nossos filhos para cuidarem de nós. 

Desta maneira eles ficarão presos a nós e não vão para vida, para o futuro. Não seguem o que o destino preparou.

E é cruel pensar em criar uma criança conscientemente desta maneira, para esta finalidade (objetivo). Pense no peso que esta criança vai carregar já desde o seu nascimento.

Outro dia, um pai me contou que ficou muito feliz quando descobriu que o seu bebê era uma menina, pois ele tinha certeza que ela ia cuidar dele na velhice. Uau… Dá para perceber o medo deste pai ao abandono? O quão grande e assustador era para ele? E que ele já determinou uma função para esta filha ainda bebê? Certamente ele a educa desde pequena para esta finalidade: cuidar dele quando envelhecer. E isso deveria ser uma escolha, não imposto desta forma. 

Tem algo maior por trás da atitude deste pai, algo não perceptível: este lugar que ele quer colocar a filha, é familiar para vocês também. Pois ele quer coloca-la no lugar da MÃE dele. E tudo para preencher o vazio emocional que existe nele. De tudo que não recebeu de sua mãe. Ou acha que não recebeu. Cruel, né. Já pensou ocupar o lugar da sua avó, que pesado? Pois é.

Projeto NÃO DEPENDÊNCIA II – Amor próprio

Para nos tornarmos desnecessários para os nossos filhos, também é preciso cuidar de nós. Ter amor próprio. Saúde em dia. Disposição. É livrar nossos filhos de cuidar da gente. É preparar a nossa mente para o momento de deixar os filhos partirem, casarem (sejam quais forem as suas escolhas), morar fora, mudar-se, crescer, para o que for necessário para felicidade e crescimento dos nossos filhos.

Abençoa e liberta

Algo importante, e que se faz necessário dizer aqui, é que fortalecemos (e muito) nossos filhos ao abençoa-los para ir para vida (nada de gestos mecânicos, frases prontas, sinta no coração). Que eles possam seguir em paz, fortes e com o “melhor que pudemos lhes dar”. 

Mas foi o insuficiente? Terá que ser. Foi o melhor que pudemos dar. E com o que demos, ele poderá (e deverá) fazer por si e ampliar/melhorar o que recebeu.

Então.. diga à eles que são livres para ir. E que recebem sua benção para fazer algo melhor. Que você os ama. E é muito feliz por ter lhes dado a vida.

#Fatos

Um fato é um fato. E isso não se discute, correto? Exato. 

Nossos filhos vão crescer. E ninguém poderá mudar isso. E nem o fato de que você sempre será pai ou mãe do seu filho. E que vai estar sempre lá quando for necessário. E “quando” você “puder” e sentir que precisa. Acredite no trabalho que você fez. Confia! Em você e neles. Eles são capazes.

Ah! E isso não precisa ser dito. Já deveria estar implícito em você e nos seus filhos.

Minha mudança de pensamento

Eu tive uma grande virada quando fui fazer a formação em Constelação familiar, muitos dos meus pensamentos e crenças mudaram.Essa nova informação mesmo, de me tornar desnecessário para o meu filho, foi uma verdadeira flechada nas minhas crenças!

E logo eu, tão dono da razão. O doutor sabe tudo. 

Eu fui criado para ser o filho perfeito. O menino que os pais pudessem se orgulhar. 

Para vocês entenderem melhor olha este exemplo: eu fiz faculdade longe da minha cidade natal (interior de São Paulo) e voltei no dia seguinte de formado para casa dos meus pais. Eu contava os dias, as horas, os anos. Eu só queria estar com eles. Ninguém mais me servia. 

Então me casei, tive filho e segui os moldes da criação que aprendi com meus pais.

Anos depois de superar alguns processos de depressão.Quando iniciei minha trajetória como terapeuta, eu recebi, digeri (mexeu muito comigo) e assimilei a informação de que teria que ser desnecessário para o meu filho, eu vi o quanto eu estava infeliz, pois era incapaz de seguir a minha vida longe dos meus pais ou do que eles esperavam de mim. Viver a vida da maneira que eu desejava. Estava preso ao mundo dos meus pais. 

Não é que era ruim ou que existisse algo errado, mas eu queria e podia evoluir e não estava fazendo nada com o que recebi. Foi um processo longo. Com muita reflexão. Para só depois aceitar. E foi só depois de formado no curso de formação em constelação familiar, que eu mudei meu jeito de pensar, ser e agir.

Nas minhas crenças antigas eu me portava como um pai coruja (babão), que não permitia que meu filho se quer pensasse, pois eu já fazia por ele. Como se eu o achasse incapaz de fazer sozinho. Essa consciência me trouxe muita tristeza e posteriormente força, pois eu percebi que podia mudar, evoluir.

Por anos eu fui o pai que se imaginava ao lado do filho para sempre. Entrando na igreja com ele para se casar. No dia da sua formatura. Saindo com os amigos dele. Viajando juntos pelo mundo. E em tantas outras situações.

Foi durante o curso que eu percebi que a maneira que estava criando meu filho era exatamente a maneira que meus pais fizeram comigo e que me sentia prisioneiro.

E olha que eles me deram muitas coisas boas. Me ensinaram bons valores. Me deram excelente formação educacional. Nutriram-me com seu amor (muitas vezes em excesso). Me davam liberdade para ir, mas era eu quem estava preso ao mundo deles.

Consciente, resolvi mudar. E eu tinha o que era necessário para recomeçar a pensar diferente e principalmente, fazer diferente.

Aceitei tudo que recebi dos meus pais com muita gratidão. Eles fizeram o melhor que puderam, da maneira que eles acreditavam que era o correto e com os conhecimentos que estavam disponíveis à eles.

Hoje, eu ainda estou em processo de mudança (Sempre estarei em evolução. Espero!). Sofro com muitas posturas que tenho que tomar como adulto e como pai. Mas entendo que estou fazendo o melhor para mim e para o meu filho. 

E como diz o ditado: “eu estou criando meu filho para o mundo”. Agora sinto assim.

“Nós devemos criar nossos filhos para o mundo” 

Finalizando

Não tem tem fim. É só o começo minha amiga(o). 

Cada um é diferente do outro. É assim que olhamos através da Constelação, sem julgamentos. Nós olhamos para cada pessoa como uma parte do todo. Quem você é, de onde veio, o ambiente em que vive, as suas crenças. Olhamos tudo. Todos. Eu VEJO você. Da maneira como você é, e te aceito assim. Sem julgamentos.

Mas a minha missão com este texto é informar e compartilhar este olhar de que não somos eternos. E temos que dar aos nossos filhos condições ideais de sobrevivência, liberdade de escolhas e segurança para seguir o seu destino rumo ao futuro. Seu futuro. 

Não existe fórmula mágica ou um único caminho a seguir. Se o que eu coloco aqui, fizer sentido para você como fez para mim, mude! Permita-se pensar diferente do que te ensinaram e você acreditou a via toda. Permita-se agir diferente. No futuro, seus filhos podem até te agradecer, pois pensando e agindo assim, eles ganham a liberdade de poder fazer diferente. De serem diferentes.  De serem felizes.

Não julgue. Só abra a sua mente. Permita-se olhar e refletir por este novo ponto de vista. Valide se faz sentido para você. Se não fizer, está tudo bem também, seus filhos vão crescer do mesmo jeito. De uma maneira ou de outra. Mas faça aquilo que você tem convicção que é o seu melhor como pais.

Grande abraço.

Tiko Santos

Assista ao vídeo no meu canal do YouTube – clicando aqui!

Ah! Aproveita e acompanhe o meu trabalho no Instagram.

Scroll to Top